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quinta-feira, fevereiro 05, 2026

Imperatriz e a Cultura da precariedade

 


Depois de muitos anos morando em Imperatriz e fazer uma espécie de observação participante que é uma ferramenta encontrada na antropologia percebi aquilo que chama de cultura de precariedade. Ainda do meus tempos do curso de jornalismo fiz um texto falando sobre a questão da relação entre a cultura material e é com 2 desse último caso em todo o inconsciente coletivo relacionados às práticas, o melhor dizendo modus, os quais eu denominei de modus operandi, modus Vivendi, e modus pensante.

 


No caso da cultura da precariedade de Imperatriz o modus operandi está no fato de que o asfalto por exemplo das ruas não é feito para durar, trata se de uma cultura onde não existe no modos pensante, uma ideia de substancialidade em relação a duração das coisas e dos seres, ou melhor dizendo da pavimentação urbana da cidade. A operacionalização ou melhor dizendo a materialização daquilo que está nesse inconsciente coletivo em relação ao modo como as coisas devem ser é muito ruim.

 

A imagem acima ilustra bem isso, pois se o asfalto tivesse sido bem feito não haveria necessidade de se fazer remendos, e não é apenas isso para lá não para não falar de outras camadas que deveriam se a priori pelo menos civilizatórias mas não são, são camadas que identificam não apenas o modus operandi, mas também o modus pensante, permeado por um imediatismo no sense.

Toda a materialização daquilo que está e o inconsciente coletivo diz muito sobre uma sociedade, sobre a forma como ela pense em relação a infraestrutura das coisas. Também pode ser levantado a hipótese de que para esta sociedade os processos mentais ainda não estão bem estabelecidos, isso pode ser entendido a partir de uma analogia com o ser humano que não desenvolveu todas as suas faculdades mentais ou as desenvolveu muito mal.

 

Também percebo, que mais afastado do centro essa cultura de precariedade tem de ser muito pior pois a infra-estrutura em áreas mais periféricas está bastante degradada e as pessoas não parecem se importar com isso porque muito provavelmente a hipótese mais provável é a falta de uma referência ou de um referencial em relação àquilo que é tido não como algo perfeito, mas dentro da normalidade do que deveria ser uma rua que proporcione aos seus usuários a sua utilização sem maiores percalços tanto em relação aos buracos como em relação a qualquer tipo de entulho ou de lixo.

 

Imperatriz teve um crescimento desordenado e não é apenas isso a formação de sua identidade também pode ser considerada como bastante precária pois não se vê por parte dessas pessoas ou melhor dizendo da população qualquer tipo de manifestação que diga respeito a uma identidade com relação a si mesmos e com relação à cidade. A prova disso, é que Imperatriz mas parece uma cidade decadente isso é a maior parte, embora em outras possa haver pujança econômica como é o caso do grande número de academias existentes na cidade, o que contrasta por outro lado com baixíssimo número de eventos culturais, e também com a ausência da manifestação parte dos próprios imperatrizenses em relação a assuntos sociais e políticos, aqui pode ser visto em sua história pelo país pela baixíssima representação política tanto na assembleia legislativa do estado como também no Congresso Nacional.

 

Essa cultura da precariedade levanta a hipótese de processos mentais mal elaborados e de uma visão em camadas fragmentária de uma população que infelizmente não apenas em sua formação histórica e cultural mas também dentro de um ideário pode ter sido afetada em relação a formação de sua própria inteligência emocional tanto individual como coletiva, visto a existência de um processo de uma ruptura, ou talvez da falta de aprimoração ou falta da criação dessa consciência coletiva, Por conta de seu processo urbanístico desenfreado o que aconteceu desde a abertura da Belém Brasília até a consolidação de seu núcleo urbano essencial no final da década de 1970.

Mesmo diante de tais hipóteses, o que se percebe foi que em Imperatriz houve uma queima das etapas relacionados à criação da identidade de seu povo, e se percebe ainda uma espécie de síndrome do forasteiro pois as pessoas não se identificam umas com as outras, embora habitem um espaço urbano não existe pelo que se percebe uma identificação que vá além de manifestações como a panelada, ou a falta de educação no trânsito e que diga respeito muito mais a forma como se pensa a cidade ou daquilo que não se pensa ou da ausência de pensamento em relação à qualidade de vida das pessoas.

 

Hoje em Imperatriz as pessoas convivem em uma sociedade disfuncional, o que se traduz isso a baixíssima representatividade política, na grande alienação da população em relação aos seus próprios problemas, e que pode ser compreendido a partir da necessidade de sobrevivência em um capitalismo que não deixa tempo para as pessoas pensarem sobre questões que fujam do essencial. Ou seja na maior parte dos casos as pessoas lutam para sobreviver, não existe então nessa sociedade, obliterada pelo capitalismo um senso de comunidade, e também não existe por parte das pessoas a capacidade de se pensar em uma sociedade ou melhor dizer de uma cidade não apenas mais funcional, mas que lide com seus problemas que são grandes e complexos de uma forma que se deu a partir de uma abordagem não apenas racional mas que também seja trabalhada a partir de uma visão onde todas as pessoas possam compreender que não não existe uma sociedade ou melhor uma cidade onde as pessoas vivam disfuncionais umas em relação às outras.

Essa disfuncionalidade da interação social de uns com os outros e da falta de reconhecimento de si no outro, é provavelmente uma das maiores tragédias que já presenciei na minha vida. Pois não existe uma sociedade que possa existe sem o senso de pertencimento ao que parece não existir em Imperatriz no Maranhão. Esse senso de pertencimento é muito mais facilmente notado em povos que têm uma fenotipia, com praticamente pouca variância genética o que já não acontece com a Imperatriz que além de ter uma população altamente diversa do ponto de vista genético, o também tem do ponto de vista societal.

 

A tentativa de se traduzir em um texto aquilo que se vê nas ruas de Imperatriz e no comportamento de sua população é justamente a tentativa da compreensão do funcionamento psico biológico dessas pessoas, sendo que existe um aspecto ou melhor dizendo um fator associado ao capitalismo que faz com que haja essa perda de identidade, ou pode-se dizer até mesmo a destruição dela a partir do momento em que, como já disse anteriormente as pessoas vivem o básico, sendo que o nível cultural dos dessa população é realmente muito ruim, isso também pode estar associado a aspectos inatos de um devir a ser, ou de um dever ser.

Em qualquer das hipóteses levantadas acima, a cidade de Imperatriz é um caso sui generis do ponto de vista antropológico de uma cidade que cresceu em pouquíssimo tempo, e no qual foram vistas os podem ser percebidos diversas estruturas reprodutoras do capitalismo ao mesmo tempo em que é possível se vivenciar e perceber também a disruptividade dessa sociedade. Seja como for, o tema não se encerra aqui, mas sempre será objeto das minhas reflexões.

 

 


sexta-feira, janeiro 09, 2026

A instrumentação da coisa pública

sexta-feira, outubro 25, 2024

Imperatriz 10 anos depois

 


Imperatriz 10 anos depois





Faz um bom tempo que nem escrever para o Blog,  e se não me engano esse tempo

gira em torno de 10 anos que é bastante tempo. E muita coisa mudou do mundo com

o surgimento das fake News,  de ameaças à democracia,  o ressurgimento do sistema

e direito em todo mundo e principalmente com a mudança de Panorama nas relações

internacionais em um mundo multipolar. 



Imperatriz mudou muito e viu surgir uma classe média empoderada , e com

o aumento na frota de veículos tanto de motos como de carros e consequentemente

dos acidentes de trânsito por conta da imprudência e da irresponsabilidade de muitos

motoristas e motociclistas. 


A Outrora arborizada Imperatriz Viu seus bosques diminuírem e

ano passado vi uma onda de calor como nenhum em outro tempo antes naquele que

é considerado o ano mais quente do século XXI. A cidade tem perdido cada vez mais

cobertura arbórea e nada tem sido feito para combater isso visto o descaso das administrações

anteriores e da administração  com relação ao meio ambiente. 


Mas hoje mais do que nunca o principal problema da cidade diz respeito à i

nfraestrutura pois embora seja um problema da atual administração  que justiça seja

feita, pois embora não se tire a responsabilidade de uma administração,  Imperatriz nunca

contou com o plano diretor que contemplasse não apenas a manutenção das vias mas

também novos investimentos. 


Existe uma cultura de precariedade pois mesmo antes de me entender como gente já existia a

prática de se fazer um remédio em cima do outro e assim por diante sendo que na cidade

existem ruas onde você tem uma patologia sobre a outra ou seja um remédio sobre o

outro e isso jamais pode ser considerado como uma prática normalizada em termos tanto

de Engenharia como de planejamento Urbano. 



Nas duas últimas administrações anteriores a atual que já vai fazer quase 8 anos

Foram asfaltadas a Rua Piauí,  a Rua Benedito Leite,  a Dorgival Pinheiro de Souza, 

Rua Coriolano Milhomem e a Rua São Domingos que é a partir da altura do Camelódromo

passa teu nome de Rua João Lisboa. Dessas vias asfaltadas as que estão é melhor condições

de tráfego são Avenida das João Pinheiro de Souza e a Rua João Lisboa visto que foi foram

feitas com material utilizando o ligante asfáltico e brita enquanto que as outras utilizaram

a mistura de areia com ligante asfáltico. No caso das ruas que foram pavimentadas

utilizando areia Nem é preciso ser engenheiro para dizer que com o tempo a chuva

e as intempéries acabaram  levando todo o material que foi utilizado pelos bueiros

da cidade e trazendo assim prejuízo para os cofres públicos. 


Em uma cidade como  Imperatriz é preciso levar em conta a questão climática visto

que se tem o período de chuvas e posteriormente se tem um período de seca e que no

ano passado viu se bem de perto esse fenômeno do seno exacerbado pelo fenômeno do El niño.

Isso significa dizer que todos os materiais de construção quer sejam eles telhas, tijolos

e principalmente a pavimentação  asfáltica está sujeito a fase de dilatação por conta

do calor e de retração à noite por conta da queda de temperatura.


Essa variação brusca de temperatura traz um problema muito sério em termos

de conservação das vias de pavimentação da cidade que não são construídas com material

de boa qualidade como foi possível observar na pavimentação da Rua Piauí por volta do

ano de 2015 e cuja via foi também recentemente pavimentada no ano passado. 


Esse debate com relação a infraestrutura de Imperatriz tem ficado apenas nas redes

sociais pois o povo observa inerte a falta de operância por parte das autoridades que

são responsáveis O que seriam em grande parte por manter e conservar as vias de

trânsito de Imperatriz. 


Ninguém sabe ao certo se Imperatriz ainda está por cima do plano diretor

pois esse foi embargado ainda em 2007,  segundo informações de uma fonte. 


segunda-feira, julho 08, 2024

A Via Crucis de Imperatriz

sábado, julho 06, 2024

O que cachorros de rua dizem sobre uma sociedade