Depois de muitos anos morando em Imperatriz e fazer uma
espécie de observação participante que é uma ferramenta encontrada na
antropologia percebi aquilo que chama de cultura de precariedade. Ainda do meus
tempos do curso de jornalismo fiz um texto falando sobre a questão da relação
entre a cultura material e é com 2 desse último caso em todo o inconsciente
coletivo relacionados às práticas, o melhor dizendo modus, os quais eu
denominei de modus operandi, modus Vivendi, e modus pensante.
No caso da cultura da precariedade de Imperatriz o modus
operandi está no fato de que o asfalto por exemplo das ruas não é feito para
durar, trata se de uma cultura onde não existe no modos pensante, uma ideia de
substancialidade em relação a duração das coisas e dos seres, ou melhor dizendo
da pavimentação urbana da cidade. A operacionalização ou melhor dizendo a
materialização daquilo que está nesse inconsciente coletivo em relação ao modo
como as coisas devem ser é muito ruim.
A imagem acima ilustra bem isso, pois se o asfalto tivesse
sido bem feito não haveria necessidade de se fazer remendos, e não é apenas
isso para lá não para não falar de outras camadas que deveriam se a priori pelo
menos civilizatórias mas não são, são camadas que identificam não apenas o
modus operandi, mas também o modus pensante, permeado por um imediatismo no sense.
Toda a materialização daquilo que está e o inconsciente
coletivo diz muito sobre uma sociedade, sobre a forma como ela pense em relação
a infraestrutura das coisas. Também pode ser levantado a hipótese de que para
esta sociedade os processos mentais ainda não estão bem estabelecidos, isso
pode ser entendido a partir de uma analogia com o ser humano que não
desenvolveu todas as suas faculdades mentais ou as desenvolveu muito mal.
Também percebo, que mais afastado do centro essa cultura de
precariedade tem de ser muito pior pois a infra-estrutura em áreas mais
periféricas está bastante degradada e as pessoas não parecem se importar com
isso porque muito provavelmente a hipótese mais provável é a falta de uma
referência ou de um referencial em relação àquilo que é tido não como algo
perfeito, mas dentro da normalidade do que deveria ser uma rua que proporcione
aos seus usuários a sua utilização sem maiores percalços tanto em relação aos
buracos como em relação a qualquer tipo de entulho ou de lixo.
Imperatriz teve um crescimento desordenado e não é apenas
isso a formação de sua identidade também pode ser considerada como bastante
precária pois não se vê por parte dessas pessoas ou melhor dizendo da população
qualquer tipo de manifestação que diga respeito a uma identidade com relação a
si mesmos e com relação à cidade. A prova disso, é que Imperatriz mas parece
uma cidade decadente isso é a maior parte, embora em outras possa haver pujança
econômica como é o caso do grande número de academias existentes na cidade, o
que contrasta por outro lado com baixíssimo número de eventos culturais, e
também com a ausência da manifestação parte dos próprios imperatrizenses em
relação a assuntos sociais e políticos, aqui pode ser visto em sua história
pelo país pela baixíssima representação política tanto na assembleia
legislativa do estado como também no Congresso Nacional.
Essa cultura da precariedade levanta a hipótese de processos
mentais mal elaborados e de uma visão em camadas fragmentária de uma população
que infelizmente não apenas em sua formação histórica e cultural mas também
dentro de um ideário pode ter sido afetada em relação a formação de sua própria
inteligência emocional tanto individual como coletiva, visto a existência de um
processo de uma ruptura, ou talvez da falta de aprimoração ou falta da criação
dessa consciência coletiva, Por conta de seu processo urbanístico desenfreado o
que aconteceu desde a abertura da Belém Brasília até a consolidação de seu
núcleo urbano essencial no final da década de 1970.
Mesmo diante de tais hipóteses, o que se percebe foi que em Imperatriz
houve uma queima das etapas relacionados à criação da identidade de seu povo, e
se percebe ainda uma espécie de síndrome do forasteiro pois as pessoas não se
identificam umas com as outras, embora habitem um espaço urbano não existe pelo
que se percebe uma identificação que vá além de manifestações como a panelada, ou
a falta de educação no trânsito e que diga respeito muito mais a forma como se
pensa a cidade ou daquilo que não se pensa ou da ausência de pensamento em
relação à qualidade de vida das pessoas.
Hoje em Imperatriz as pessoas convivem em uma sociedade
disfuncional, o que se traduz isso a baixíssima representatividade política, na
grande alienação da população em relação aos seus próprios problemas, e que
pode ser compreendido a partir da necessidade de sobrevivência em um
capitalismo que não deixa tempo para as pessoas pensarem sobre questões que
fujam do essencial. Ou seja na maior parte dos casos as pessoas lutam para
sobreviver, não existe então nessa sociedade, obliterada pelo capitalismo um
senso de comunidade, e também não existe por parte das pessoas a capacidade de
se pensar em uma sociedade ou melhor dizer de uma cidade não apenas mais
funcional, mas que lide com seus problemas que são grandes e complexos de uma
forma que se deu a partir de uma abordagem não apenas racional mas que também
seja trabalhada a partir de uma visão onde todas as pessoas possam compreender
que não não existe uma sociedade ou melhor uma cidade onde as pessoas vivam
disfuncionais umas em relação às outras.
Essa disfuncionalidade da interação social de uns com os
outros e da falta de reconhecimento de si no outro, é provavelmente uma das
maiores tragédias que já presenciei na minha vida. Pois não existe uma
sociedade que possa existe sem o senso de pertencimento ao que parece não
existir em Imperatriz no Maranhão. Esse senso de pertencimento é muito mais
facilmente notado em povos que têm uma fenotipia, com praticamente pouca
variância genética o que já não acontece com a Imperatriz que além de ter uma
população altamente diversa do ponto de vista genético, o também tem do ponto
de vista societal.
A tentativa de se traduzir em um texto aquilo que se vê nas
ruas de Imperatriz e no comportamento de sua população é justamente a tentativa
da compreensão do funcionamento psico biológico dessas pessoas, sendo que
existe um aspecto ou melhor dizendo um fator associado ao capitalismo que faz
com que haja essa perda de identidade, ou pode-se dizer até mesmo a destruição
dela a partir do momento em que, como já disse anteriormente as pessoas vivem o
básico, sendo que o nível cultural dos dessa população é realmente muito ruim, isso
também pode estar associado a aspectos inatos de um devir a ser, ou de um dever
ser.
Em qualquer das hipóteses levantadas acima, a cidade de
Imperatriz é um caso sui generis do ponto de vista antropológico de uma cidade
que cresceu em pouquíssimo tempo, e no qual foram vistas os podem ser
percebidos diversas estruturas reprodutoras do capitalismo ao mesmo tempo em
que é possível se vivenciar e perceber também a disruptividade dessa sociedade.
Seja como for, o tema não se encerra aqui, mas sempre será objeto das minhas
reflexões.











